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Japão, Acre, bicicleta, e e-mail

 

Voltar às cidades onde já tocou com os 100 Gold Fingers é uma nova página na trajetória de um mês de João Donato no Japão. Em apresentações de uma hora e quinze minutos, Donato tem desfilado seu repertório na voz da cantora Noriko Ito, no seu piano solo e com o quarteto formado por Rye Akagi (flauta), Myano (guitarra), Raya Kawa (contrabaixo) e Tomohiro (percussão). Ainda faltam dois shows em Tóquio e um em Yamagata.

 

 

 

Donato também tem mais tempo para sentir o Japão e sua modernidade estampada nas luzes dos prédios e no desenvolvimento sustentado.

 

 

 

gAs chaminés das fábricas são branquinhas e os rios não têm sinal de poluiçãoh, admira-se sonhando com uma parceria entre os governos do Acre e do Japão. gAqui eles têm um sentimento de amor pela floresta igual ao do Acre, só falta trocar informaçõesh.

 

 

Em Nagoya, de volta ao Blue Note, Donato fez dois shows na mesma noite e ainda saiu para andar de bicicleta pelas ruas iluminadas. Tivemos como cicerones jornalistas e músicos brasileiros. Em Okayama, às três horas da tarde, escutamos gMinha Saudadeh (gravação do CD Bud Shank and his brazilian friends featuring João Donato) no rádio do MC Donalds. Donato tocou, então, em outro teclado: escreveu um e-mail para Bud Shank. Depois, no rádio da estação de trem, ouvimos gWhistel Stoph (do CD Donato e Deodato).



Escrito por Ivone Belem às 06h28
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Da pressa dos japoneses vem a inspiração

A menos de uma semana do nosso retorno ao Brasil, marcado para o dia 19 de junho, João Donato tem na mala um saldo de pelo menos quatro músicas feitas casualmente com os novos parceiros de piano, ou tendo como fonte de inspiração as paisagens e o modo de vida dos japoneses.

 

 

Haneda Eo nome do aeroporto de trânsito doméstico de Tóquio e agora também Euma nova melodia de Donato, Hod O’brien e Don Friedman. Tudo começou enquanto o grupo de dez pianistas esperava para embarcar rumo a Sapporo. Donato escreveu em um pedaço de papel as notas do toque de chamada para embarque e o entregou a Don Friedman, num desafio para continuar a música. Friedman escreveu a sua parte e entregou o papel para Hod O’brian. E assim passaram a viagem de duas horas, atEque a música ficou pronta e foi batizada com o nome de “HanedaE que também brinca com os nomes hannon, método de prática de piano, e Eneyda, a irmEque estudava piano quando João Donato pai sonhava com um Donato piloto de avião.

 

O clima de camaradagem entre os pianistas crescia com o avanço dos 15 concertos realizados entre 24 de maio e 10 de junho, o último, em Tóquio. As brincadeiras dos bastidores dos teatros e auditórios eram levadas por Donato para o palco. No último número do derradeiro concerto, em que os pianistas subiram juntos ao palco para, acompanhados do baixo e bateria, tocar um pedacinho de “Take the a trainE orquestrados por Júnior Mance, todos imitaram Donato balançando as mãos acima da cabeça e despedindo-se dos japoneses.

 

 

A descontração inspirou Donato a compor “All rightE expressão que ouvia todos os dias, a 15 minutos da concentração dos pianistas no lobby do hotel. O baixista Bob Cranshawl ligava para nosso quarto e se limitava a falar “all rightE Não sobrava mais tempo para divagação e a mala tinha que ser fechada de qualquer maneira porque no Japão pontualidade não Euma virtude, Eum princúio.

 

Os campos de arroz, “TamboEem japonês, inspiraram outra música. Nas viagens de ônibus e trem bala ficamos impressionados com tantos campos e campinhos de arroz. Sim, porque nas regiões de planú€ie, os japoneses aproveitam qualquer cantinho do quintal para plantar arroz. Conseguimos assistir ao espetáculo das plantações verdes de arroz irrigado e dos campos amarelos do arroz pronto para ser colhido.

 

“Curry and HurryEDonato fez em parceria com Cedar Walton, na hora do sorvete, como o presidente da All Arts Productions, Takao Ishizuka, passou a chamar a paradinha do ônibus entre uma cidade e outra. Donato, invariavelmente, era o último a chegar no ônibus de volta. Ressabiado, em uma das paradas, perguntou se Takao jEhavia voltado para o ônibus, e ouviu de Cedar que ele estava comendo seu curry. Motivo para muitas risadas e estúŠulo para uma nova música.



Escrito por Ivone Belem às 06h18
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