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Gaiolas abertas em Shinagawa

 

Depois de 14 dias no Japão, cruzando o país de avião, ônibus e trem bala, João Donato participou ontem do nono concerto da temporada de 15 apresentações dos  100 Gold Fingers, em Shinagawa, distrito de Tóquio. A platéia - mais de 1.500 pessoas que lotavam o Tokyo Musashino Bunka Kaikan - assistiu a um João Donato na sua essência. Em meio a nove pianistas da autêntica escola do jazz americano, Donato tocou gSamba de uma nota sóh em duo com um dos mais jovens músicos da temporada, Benny Green, de 43 anos. Foi um número alegre, com muito virtuosismo de Green e economia de notas de Donato. Mas na hora do gEmoriôh, acompanhado de Bob Cranshaw (baixo) e Grady Tate (bateria),  Donato, livre, batia forte com o pé no chão levando a polida platéia a acompanhá-lo compassadamente com palmas.

 

Amigo japonês de Donato há mais de 25 anos, o percussionista Yoichi Ogawa, que morou no Brasil e estava no auditório, também vibrava:

 

- Donato abriu as gaiolas da academia. Pianistas de jazz são muito comportados.

 

Vestido invariavelmente com camisa florida ou colorida sob paletó e calça escuros alinhados, e boné cor de rosa, João Donato dispensa a gravata e destoa dos outros artistas que usam smoking ou comportados trajes. A exceção foi o primeiro show, em Fukuoka, onde Donato – pouco à vontade - adotou o clássico terno e gravata. No segundo show, como mostra foto publicada no jornal Okinawa News, lá está Donato com sua camisa florida. E não é só pelo estilo despojado de vestir, mas por causa do suingue da sua levada que os japoneses agitam as mãozinhas ao final dos concertos.

 

Donato é o primeiro pianista de fora do eixo Califórnia–Nova Iorque a ser convidado para se apresentar no concerto bienal e que realiza em 2007 a sua décima edição. Tanto é que a figura do cartaz do evento mostra uma Nova Iorque vazia, uma gaiatice da All Arts Productions para dizer que todos os pianistas estarão no Japão durante os 20 dias da turnê.

 

 

Arte: Teobaldo



Escrito por Ivone Belem às 23h28
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De quem são os outros 90 dedos de ouro

 

Júnior Mance, 78 anos – Nascido em Chicago, Illinois, começou a tocar piano informalmente aos cinco anos de idade. A partir dos oito anos, passou a freqüentar o Rosevelt College em Chicago. Acompanhou grandes nomes como Charlie Parker, Coleman Hawkins, Eddie "Lockjaw" Davis, Sonny Stitt e outros. Participou do conjunto de Dizzy Gillespie, trabalho que ele considera um dos mais importantes da sua carreira.  É membro da faculdade de jazz e música contemporânea da New School University de Nova Iorque e o único pianista que participou de todas as temporadas dos 100 Gold Fingers.

 

Toshiko Akioshi, 79 anos - A única mulher do grupo, é nascida na China, filha de japoneses, migrou para os EUA em 1959 para estudar no Berklee College of Music (Boston).@Nesta época ja era uma figura importante no Japão. Seu repertório atravessa solos exuberantes de suingue que misturam o jazz tradicional com a música japonesa. Como compositora, sua maior influência foi de Duke Ellington. Paralelamente, sua orquestra trabalhou com Charlie Mariano, Charles Mingus e J.J. Johnson. Em 1972 formou uma banda com o marido, o sax tenor Lew Tabackin. Esta banda toca suas próprias composições até hoje.

 

Cedar Walton, 73 anos –Nasceu em Dallas (Texas). A mãe, que era professora de música, deu-lhe as primeiras lições de piano, ao mesmo tempo que ele estudava também clarinete. O repertório bebop não tem segredos para ele, tocando os ritmos mais complexos com um suíngue permanente, diz site português. É igualmente um solista que esconde o seu virtuosismo sob o humor e o seu temperamento bluesy mas também sob arabescos com a mão direita bem ao estilo de Bud Powell.

 

Don Friedman, 72 anos – São Francisco (Califórnia. Começou sua carreira de músico de jazz na costa Oeste dos EUA, tendo tocado com Shorty Rogers, Dexter Gordon, Buddy Collette e o clarinetista Buddy de Franco. Também tocou com o trompetista Chet Baker, o saxofonista Ornette Coleman e com o maestro do sax alto, Art Pepper. Segundo site espanhol especializado em música, o pianista representa a evolução mais clara, articulada e inteligente do piano lírico empreendido pelo maestro Bill Evans.

 

Hod Ofbrien, 71 anos – Connecticut. Mudou-se para Nova Iorque na década de 50, quando começou a ter seu trabalho reconhecido.  Aos 21 anos foi convidado para gravar com Art Farmer, Donald Byrd e Idree. A partir de então passou a integrar o seleto meio dos artistas influenciados pelo bepob, como Pepper Adams, Kenny Burrel, Oscar Pettiford e Stan Getz. Tornou-se um músico habitual de clubes históricos de NY, como Birdland, Continental, Cork e Bib, Black Pearl e Smallfs Paradise. Sua carreira foi interrompida por uma década, entre 1963 e 1973, período em que retornou para a Columbia University para estudar Matemática. Na década de 70, criou o seu próprio clube, The James Infirmary, onde se apresentaram importantes músicos como Chet Baker, Roswell Rudd, Lee Konitz, Zoot Sims e outros.

 

Kenny Barron, 65 anos – Filadélfia (Pensylvânia). É conhecido como um dos gigantes do moderno piano mainstream. Mudou-se para NY em 1961, onde durante cinco anos tocou e gravou com Dizzy Gillespie. Depois Barron continuou se associando a grupos importantes, como de Freddie Hubbard (1966-1970), Yusef Lateef (1970-1975) e o quarteto de dois contrabaixos de Ron Carter (1976-1980). Realizou uma série de duetos brilhantes na sessão final das gravações de Stan Getz.



Escrito por Ivone Belem às 23h27
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Cyrus Chestnut, 44 anos – Baltimore. Recebeu as suas primeiras aulas de música com apenas cinco anos de idade. Foi considerado um menino prodígio do jazz porque aos nove anos já vencia concursos do gênero. Entre 1981 e 1985 estudou na Berklee College of Music (Boston) onde recebeu os prémios de “Eubie Blake”, “Oscar Peterson” e “Quincy Jones”. Iniciou a sua carreira profissional com Terence Blanchard, Donald Harrison e Winton Marsallis e a partir  de 1991 foi pianista de Betty Carter. Tocou e gravou ainda com Larry Coryell, Courtney Pine, Chico Freeman, George Adams, Chick Corea, Joe Williams e Dizzy Gillespie.

 

Benny Green, 44 anos - Nova Iorque. Iniciou-se no piano clássico aos sete anos, com o seu pai, saxofonista tenor. Muito cedo teve sua profissionalização no jazz ao lado de Eddie Henderson e Chuck Israels. Estudou com Walter Bishop Jr. e depois de ter tocado com Bobby Watson foi convidado para acompanhar Betty Carter. Tocou com Art Blakey, Freddie Hubbard e Oscar Peterson, que atribuiu a Green o “Glen Gould Internacional Prize”. Também tocou e gravou com Milt Jackson e Diana Krall. Foi discípulo do mítico contrabaixista Ray Brown, que o convidou para integrar seu trio.

 

Gerald Clayton – 23 anos – Utrecht (Países Baixos). Nascido em uma família de músicos (seu pai é o baixista John Clayton e o seu tio o saxofonista Jeff Clayton). Mudou-se para os EUA muito jovem. Formou-se na Los Angeles County High School for the Arts em 2002.  Desde então tem participado de festivais de jazz pelo mundo, tendo acompanhado Kenny Barron, Mulgrew Miller  e Benny Green em concertos na Europa. Também fez algumas turnês com o trompetista Roy Hargrove. Pode ser ouvido na mais recente gravação de Diana Krall, "From This Moment On”.

 



Escrito por Ivone Belem às 23h26
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